13 de Julho de 2009

Retornos; e as rabugices do costume...

-----É nas letras que encontro entendimento para as horas más. É assim desde os tempos em que era uma criança triste, e que escrevia tudo (alguns desses textos chegaram a valer-me nome e prémios na escola) com a ávida destreza dos desconsolados. Isto a propósito deste blogue, criado em resposta ao desafio «e se criasses um blogue?» que alguém me colocou numa conversa no messenger. E eu criei-o sem saber que criava uma porta para o meu passado. Recentemente celebrou o seu terceiro aniversário; ninguém reparou… ainda bem!

5 de Junho de 2009

Na hora de falar, cala-se a palavra... Obrigado a todos!

-----Vou ter de me familiarizar com estes 34 anos acabadinhos de fazer: ainda as doze badaladas – isto dito assim até parece uma fábula! – se repetiam nos silêncios da noite e já me deliciava a desembrulhar a prenda que mantiveste escondida nesses sorrisos matreiros de quem me conhece até às minhas mais frívolas excentricidades. Depois, uma mensagem no telemóvel; a seguir outra (credo, eu tenho assim tantos amigos?!)... e num piscar de olhos o telefone desassossegou-se em dezenas de bips que me remetiam para uma caixa de entrada repleta de intensos votos de prosperidades, de abraços sentidos... e de coisas.
-----Nunca fui um grande aniversariante, confesso; e nestes dias encho-me quase sempre de atrapalhados rubores nos agradecimentos, pois sei que lidar com um homem como eu requer paciências e cuidados que, em boa verdade, não deveria sequer saborear. Contudo é esta a minha condição: sou um fino recorte sobre um horizonte de sentimentos profundos; tão doce no abraço como implacável na hora de fazer soar o trovão. Por isso te agradeço (e vos agradeço) este meu trigésimo quarto aniversário; os parabéns são para ti, e para todos vós.

12 de Maio de 2009

se as ilusões afogam a esperança, é dançando que se aquece o coração...

5 de Maio de 2009

inventários; certezas de que tudo passa e do muito que há-de vir...

-----A um mês de completar 34 anos de idade, chegou a altura dos meus balanços: não foi tudo mau; contudo não foi tudo bom. Procurei sempre motivos intensos para continuar a viver; e, na minha história – esta que escrevo neste blogue – custam-me apenas alguns amores (e outros incontornavelmente sofridos desamores) de que, em consciência, me não arrependo.
-----Trinta e três anos e onze meses; ainda me lembro das ansiedades de ser homem que afligiam a minha meninice. Tudo era belo e, no entanto, tudo se transformou: a criança que fui amadureceu terrivelmente, sobrando apenas uma leve recordação da sua meiguice. E isto para vos dizer que tudo passa; vertiginosamente, implacavelmente... completamente.

1 de Maio de 2009

amor de perdição; ou as coisas que a vida nos dá?

Apresentação gentilmente cedida pela Andrea (que todos temos no pensamento como a incontornável pomba!) a propósito do décimo aniversário do chat blá blá. A todos os que fazem parte deste universo um sentido agradecimento por tantos e bons momentos de excelente companhia.

26 de Abril de 2009

a exérese dos sentidos; alguns medos e afins – e dores...

-----Eis que um telefonema bastou para me alterar os planos: e é já amanhã que vou à faca, coisa que só estava a prever para Junho. Contudo, os senhores da Saúde, céleres quanto baste, descobriram espaço nas suas congestionadas agendas para a minha (– eles é que dizem!) simples cirurgia. Era pegar ou largar: as filas de espera estendem-se para além da barreira dos anos, e eu peguei; mau grado a vontade que tive de largar.
-----Assim, estarei amanhã às 11 horas no hospital; e lá para o meio-dia sairei do bloco operatório com mais um corte na região nadegueira: é que, para mal dos meus pecados, a exérese cirúrgica de um quisto sacrococcígeo a que me submeti em Novembro – e da qual convalesci dolorosamente durante mais de três meses – não bastou; e esta é já a segunda temporada deste thriller tão cheio de sensações fortes, com facas, agulhas, toalhas e lençóis.

19 de Abril de 2009

de tudo o que vivi, lembrei-me disto: no meu presente é este passado que sinto...

11 de Abril de 2009

Paixão, fundamentalismo; e a forma de se acreditar em quase tudo...

-----Mataram-no ontem, pronto; estava escrito que seria assim – e os que acreditam celebram-lhe o sacrifício com grandes festividades, indiferentes ao facto de um mesmo coitado sofrer a mesma morte ano após ano para lhes remir os pecados. É sabido (embora nunca tal tenha sido provado) que há-de ressuscitar amanhã: e sairá incógnito do sepulcro, para mostrar as chagas ensanguentadas ao arregalado Tomé, dizendo «acredita-me Tomé, acredita-me!».
-----Eu não acreditaria; virar-lhe-ia as costas pois nunca confio em martírios e tão pouco sou um homem de fé – nem desta fé! Não me sossega a esperança de uma salvação encharcada no sangue de um homem-deus, que se imortalizou na espectacularidade da expiação pela dor. Contudo é disto que o povo gosta há mais de dois mil anos; e, em Roma, a grande meretriz vai agradecendo às multidões, acenando-lhes sorrisos suficientemente sentidos.

8 de Abril de 2009

Hoje senti-me assim...

6 de Abril de 2009

Porque eu também erro...

-----Estar contente com a vida, recebê-la de peito aberto é exigível ao comum dos homens; e é mais do que uma exigência – é uma obrigação de carácter. Contudo, no meu caso particular, são os sentimentos que regulam quase sempre as minhas disposições. Admito que não tenho andado bem nestes últimos dias...