31 de março de 2009

As condições devidas; e outros pensamentos...

-----Andei a remexer nas estantes da sala à procura de um livro que fosse, no seu conceito, diferente de toda a literatura ficcionada a que me dediquei nos últimos dias; fui encontrá-lo escondido (a fazer justiça à atitude do seu autor enquanto viveu) atrás de uma pilha dos outros livros que ainda não tive coragem de ler. Trata-se do Crepúsculo dos ídolos, uma compilação de textos de Friedrich Nietzsche (o filósofo mais maltratado e incompreendido da história do pensamento, devido à crítica feroz que fez à moral cristã e ao mundo ocidental), das Edições 70.
-----Nietzsche negou categoricamente a fragilidade da condição humana ao recusar ver virtudes na humildade; e na sua busca por uma nova moral criou o super-homem, proclamando inflamadamente a morte de Deus. Considerou também não haver espaço no mundo para seres inferiores; uma atitude que hoje lhe vale, ainda que erradamente, uma certa colagem ao nazismo de Hitler.
-----Contudo, não pretendo aqui falar de Nietzsche; quero apenas transcrever um pequeno texto que encontrei ao folhear esse livro. É que estou convencido de que alguém terá, ao lê-lo, algum entendimento sobre o que pretendo com ele. Assim espero.

«Os homens de mais espírito – suponho que são os mais ousados – experimentam também, de longe, as mais dolorosas tragédias; precisamente por isso honram a vida, porque essa lhes contrapõe o seu máximo antagonismo.»

(Friedrich Nietzsche, in Crepúsculo dos ídolos, edições 70)

1 comentário:

Anónimo disse...

Nietzsche era de facto um homem surreal, quem leu as suas obras pode constatar que são de uma frontalidade e de uma libertação absoluta da condição humana, obras essas que ainda hoje perduram e são de difícil e contraditória compreensão.
"Os homens de mais espírito" aventuram-se pelo desconhecido como se este fosse a condição necessária para ir para além do bem e do mal, e provavelmente nessas passagens vão reconhecendo em si próprios evidências de uma civilização imputada pela racionalidade mesquinha,e assim sendo, fogem na tentativa de honrar ao máximo a sua existência nesta vida que é tão efémera.

Beijo