24 de março de 2009

A verdade de La Palice (ou lapalissada / lapaliçada)...

-----Nem tudo o que se diz é verdade; tão pouco se pode definir a sinceridade, dada a singularidade do conceito. Contudo, há mentiras tão evidentes que se tornam ridículas – e essas são as mais difíceis de entender. Na minha vida a aldrabice é um facto consumado: as pessoas, provavelmente acossadas pela minha ingenuidade, recorrem frequentemente a artimanhas pouco ortodoxas para conquistar a minha confiança; e eu acredito nelas, ainda que as evidências do erro se cravem como punhais no meu entendimento.
-----Nunca lhes percebi os motivos. Hei-de, no entanto, manter-me fiel aos meus princípios, já que é esse o traço mais vincado da minha personalidade. Perdoar-lhes-ei condescendentemente cada um desses momentos de ignomínia; e nunca farei do rancor uma arma, pois eu não sou assim.
-----Sei que algumas pessoas vão ler este texto; a essas reafirmo a certeza do recado – as palavras aqui escritas são para todos vós, sem querer atingir ninguém em particular. Cabe-vos, antes de mais, avaliar se as mereceis.

5 comentários:

Anónimo disse...

Dizem que a mentira tem perna curta, e todos nós um dia já descobrimos que isso é bem verdade.
A descoberta de uma mentira leva ao sofrimento do Homem, mas há quem consiga viver impregnado de mentiras e mesmo assim seja feliz, mas essa é uma felicidade em estado de ignorância, porque quando descoberto, pode entrar em sofrimento e levar os outros ao sofrimento.
Assim sendo, o direito à verdade deveria estar consagrado na Declaração Universal dos direitos humanos, pois assim ninguém na posse de um direito destes, poderia negá-lo a si próprio.

Beijo

Luís Mouta disse...

Anónimo, fizeste-me rir...

A verdade consagrada na Declaração Universal dos direitos Humanos? É preciso? Tem de ser por decreto?

E eu a pensar que era uma questão moral...

Anónimo disse...

Enquanto a verdade não for respeitada, provavelmente só o poderá vir a ser se for consagrada!...

A moral fica ao critério de cada um, uns têm, outros nem sabem o que isso é.

Beijo

Luís Mouta disse...

Bom, eu acho que a verdade é soberana... «E deve ser dita, doa o que doer...»!
Neste texto não pretendo explorar a questão da verdade universal: a mensagem que quero transmitir tem a ver com os valores individuais e com a sinceridade. Tu sabes ao que me refiro, não sabes? Essencialmente é a questão do meu filho (e o mal que toda essa situação me faz); e aqueles pequenos problemas do dia-a-dia onde todos - até eu! - costumamos falhar...

Anónimo disse...

A verdade deveria ser universal, se fosse universal, todos a viam da mesma forma, não doía, era aceite naturalmente.
Todos falhamos somos humanos, mas realmente há princípios e valores individuais que não são respeitados nem valorizados, por isso mesmo magoam-nos, e magoando-nos, magoam-se a si próprios também, é recíproco.

Beijo