11 de abril de 2009

Paixão, fundamentalismo; e a forma de se acreditar em quase tudo...

-----Mataram-no ontem, pronto; estava escrito que seria assim – e os que acreditam celebram-lhe o sacrifício com grandes festividades, indiferentes ao facto de um mesmo coitado sofrer a mesma morte ano após ano para lhes remir os pecados. É sabido (embora nunca tal tenha sido provado) que há-de ressuscitar amanhã: e sairá incógnito do sepulcro, para mostrar as chagas ensanguentadas ao arregalado Tomé, dizendo «acredita-me Tomé, acredita-me!».
-----Eu não acreditaria; virar-lhe-ia as costas pois nunca confio em martírios e tão pouco sou um homem de fé – nem desta fé! Não me sossega a esperança de uma salvação encharcada no sangue de um homem-deus, que se imortalizou na espectacularidade da expiação pela dor. Contudo é disto que o povo gosta há mais de dois mil anos; e, em Roma, a grande meretriz vai agradecendo às multidões, acenando-lhes sorrisos suficientemente sentidos.

3 comentários:

Manuel Morgado disse...

«acredita-me Tomé, acredita-me!»
Hoje em dia ja é pedir de mais, olhamos em nosso redor e ja nada nos faz acreditar, comessando pela "grande meretriz" que nada faz a não ser enriquecer mais um pouco o "seu" Vaticano, aliás como todos os outros o fizeram.
Sou um Cristão desacreditado...

Ana Pinheiro disse...

Vim aqui agradecer os teus votos de felicidades, OBRIGADA Luis!
Agora ao ler o que escreveste, sobre a época festiva, ora sendo eu uma mulher de muita fé, não consigo deixar de comentar, ora, não fosse a blogosfera para outra coisa :).
Apesar de ser religiosa, católica, a Páscoa não é de todo uma festa que aprecie. Acho triste.
Quanto a Jesus Cristo, acredito na sua existência passada e acredito que tenho sido um Mártir, e como todosos mártires foi rodeado de gente e de muitas mulheres.
Quanto às histórias de que a Bíblia descreve, na verdade são belas metáforas que nos ensinam os valores mais importantes para se viver em sociedade. Infelizmente, na sua maioria esquecidos.
Como parte do povo que sou, sinto necessidade de me agarrar a algo "superior". Nascer... Viver... Morrer... para mim não chega :)

Beijinho.

Ana

Anónimo disse...

A Páscoa é a celebração da ressurreição e da vida, é um marco histórico “...do novo sopro do Espírito na face da Igreja”.
Cristo é Vida, é Fé, é Amor, e Ele oferece-se ano após ano para nos relembrar que perdoar é uma dádiva.
Há homens de pouco ou nenhuma fé, mas a Humanidade precisa de algo superior, para que não a deixe cair ainda mais no caos em que se encontra mergulhada.
Ligamos a televisão, abrimos os jornais, e o que é que vemos? Um mundo caótico, em que os seres humanos deixaram de se respeitar – roubam, matam, desprezam o seu semelhante e grassam cada vez mais as violações e genocídios. A justiça, essa continua a ser o que era, não actua, não pune.
Se as pessoas tivessem mais fé e acreditassem – o seu coração estaria mais preenchido de amor, e assim sendo, seria mais fácil difundir o respeito e a consciência humana, e teríamos provavelmente um mundo mais harmonioso.
Eu tenho Fé, eu acredito!

Beijo